segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Sim, novamente GRÁVIDA


 

Outubro de 2025 foi um dos meses mais intensos que tive, desde que passou a pior fase do puerpério, isso porque meu filho ficou doente e foram cerca de 28 dias de caos, noites mal dormidas, rotina desajustada, criança que às vezes comia, outras não, às vezes mamava, outras não. Eventos que não fomos porque nosso baby estava precisando de atenção e de nós... Eventos da faculdade que eu tive que largar de última hora pra ir ao pronto socorro encontrar meu filho.. Enfim, caos. 

E no fim de outubro, engravidei! Sim, queríamos. Mas não fazíamos ideia de que iríamos engravidar no primeiro ciclo (até porque com o meu filho demorou uns 3 meses pra dar certo). Mas sim, engravidei, e descobri no início do mês de novembro. E foi aí que a segunda parte do caos começou. 

Nessa segunda gestação eu tenho passado muito mal, muitos dias, quase o dia todo. Meu Natal foi terrível, Réveillon foi jogada no sofá. Não conseguia sair de casa, passava muito calor e vivia no ar condicionado (e a conta de luz gritou em alto e bom som) e hoje, com 15 semanas de gestação, ainda passo mal. Não com a intensidade do fim do ano passado, mas vez ou outra bate o enjoo e eu paro tudo, fico jogada, existindo e torcendo para que acabe logo. 

Com isso, veio a culpa. A culpa por ter que ligar pra minha mãe e minha sogra pra elas cuidarem do meu filho porque eu não conseguia cuidar dele. A culpa de deixar ele chorando enquanto eu ficava no banheiro fazendo das tripas coração. A culpa do dia que eu enjoei tanto que eu não consegui preparar o almoço dele, e tive que dar mamadeira pra ele não ficar com fome. A culpa de quando só troquei a fralda e deixei ele praticamente pelado no berço e saí correndo pro banheiro porque o cheiro da fralda suja era o maior gatilho pro enjoo.. 

A culpa por não poder me dedicar à minha bebe que estou gestando, porque meu filho consome meu tempo. Por não tomar água o suficiente, por dormir mal porque preciso cuidar do meu filho. Por não me exercitar porque não tenho com quem deixar ele todos os dias pra eu descer pra academia... A culpa por não fazer por ela o que eu fiz por ele durante a gestação. 

A culpa vai passar? Não. Talvez essa culpa passe, e venha outra, e depois outra.. e mais outra.. Mas a gente aprende a conviver com isso. E a gente aprende a amar o processo. Agora, sinto que estou começando a amar. 

Para os próximos meses eu só peço paz no coração, aconchego na alma e saúde. Para mim e para nós.

quinta-feira, 4 de setembro de 2025

O tempo voa, e não é clichê

 


Depois que iniciei meu trabalho, o tempo voou. Tanta coisa aconteceu nesse tempo.. meu filho foi diagnosticado com Alergia à Proteína do Leite de Vaca (APLV), interrompi a amamentação, ele começou na fórmula. E em meio ao caos de tentar estabilizá-lo, eu voltei a trabalhar. 

Depois que voltei a trabalhar, o tempo passou diferente. Os dias, as semanas, os meses... tudo passou muito, mas muito depressa. E só então consegui entender meu marido que dizia que as horas no trabalho eram diferente depois que ele virou pai. E, de fato, é mesmo. 

Parece que eu pisquei e meu filho cresceu, eu fui pra UFSC, dei minha aula, dormi e, no outro dia, tinha outro bebe em casa. E isso só me fez refletir sobre como a passagem do tempo é subjetiva, e diretamente relacionada às nossas emoções. 

Em casa, o tempo era custoso, vagaroso, por vezes, até sofrido. Isso porque, em casa, eu parecia estar estagnada, parada num mundo de fraldas e tetês infinitos. Com o trabalho, entrou em cena a professora, orientadora, pesquisadora, extensionista.. e que cuida da casa, cuida do casamento, e cuida do filho, porque também sou mãe. 

Hoje, com meu bebê de 8 meses já se sustentando em pé, vejo que o tempo de fato voa. E o que eu quero pra minha vida, é poder voar junto ao tempo. 


quinta-feira, 31 de julho de 2025

(re)começo

    


 

    Essa semana retorno ao trabalho, depois de 180 dias de licença maternidade somadas à alguns bons dias de férias que eu tinha acumulado justamente para utilizar agora. 

    Um dia antes do retorno, senti muito medo. Parecia o mesmo frio na barriga de quando comecei a trabalhar. A dúvida se daria conta, de como seria minha nova rotina agora tendo que dividir o trabalho em casa com a maternidade, treinando as pessoas que ficariam com o Yuri para eu trabalhar.. E o medo de, por estar focada no trabalho, não conseguir ter tempo para fazer os estímulos certos para o meu bebê se desenvolver da melhor forma. 

    Aí, então, eu tive o "pulo do gato". Eu entendi que eu não iria voltar a trabalhar. Eu iria começar a trabalhar (ou "re" começar).

    Isso porque a Keitty de antes não vai voltar mais. Ela não existe mais. A Keitty agora é mãe, e como mãe pensa diferente, age diferente, tem outras prioridades, e tem uma gestão de tempo diferente. E isso me tranquilizou. 

    Estou encarando esse processo como uma redescoberta de rotina. Como se fosse a primeira vez que eu estivesse ali trabalhando. E isso me deu uma paz enorme porque, no fim, é isso o que está acontecendo. Não é um retorno, uma volta... as coisas mudaram. E se mudaram comigo, mudaram também onde eu trabalho. 

   Eu sou feliz demais como professora. Ouso dizer que, junto com a maternidade, é o que eu mais amo fazer na vida (junto mesmo, pau a pau ali na conta). 

   Por ora, espero que as coisas se acertem o quanto antes. Espero que o Yuri me ensine a ser uma melhor professora assim como a UFSC me ensine a ser uma melhor mãe nessa dupla jornada. Espero um bom (re)começo.