quinta-feira, 4 de setembro de 2025

O tempo voa, e não é clichê

 


Depois que iniciei meu trabalho, o tempo voou. Tanta coisa aconteceu nesse tempo.. meu filho foi diagnosticado com Alergia à Proteína do Leite de Vaca (APLV), interrompi a amamentação, ele começou na fórmula. E em meio ao caos de tentar estabilizá-lo, eu voltei a trabalhar. 

Depois que voltei a trabalhar, o tempo passou diferente. Os dias, as semanas, os meses... tudo passou muito, mas muito depressa. E só então consegui entender meu marido que dizia que as horas no trabalho eram diferente depois que ele virou pai. E, de fato, é mesmo. 

Parece que eu pisquei e meu filho cresceu, eu fui pra UFSC, dei minha aula, dormi e, no outro dia, tinha outro bebe em casa. E isso só me fez refletir sobre como a passagem do tempo é subjetiva, e diretamente relacionada às nossas emoções. 

Em casa, o tempo era custoso, vagaroso, por vezes, até sofrido. Isso porque, em casa, eu parecia estar estagnada, parada num mundo de fraldas e tetês infinitos. Com o trabalho, entrou em cena a professora, orientadora, pesquisadora, extensionista.. e que cuida da casa, cuida do casamento, e cuida do filho, porque também sou mãe. 

Hoje, com meu bebê de 8 meses já se sustentando em pé, vejo que o tempo de fato voa. E o que eu quero pra minha vida, é poder voar junto ao tempo. 


quinta-feira, 31 de julho de 2025

(re)começo

    


 

    Essa semana retorno ao trabalho, depois de 180 dias de licença maternidade somadas à alguns bons dias de férias que eu tinha acumulado justamente para utilizar agora. 

    Um dia antes do retorno, senti muito medo. Parecia o mesmo frio na barriga de quando comecei a trabalhar. A dúvida se daria conta, de como seria minha nova rotina agora tendo que dividir o trabalho em casa com a maternidade, treinando as pessoas que ficariam com o Yuri para eu trabalhar.. E o medo de, por estar focada no trabalho, não conseguir ter tempo para fazer os estímulos certos para o meu bebê se desenvolver da melhor forma. 

    Aí, então, eu tive o "pulo do gato". Eu entendi que eu não iria voltar a trabalhar. Eu iria começar a trabalhar (ou "re" começar).

    Isso porque a Keitty de antes não vai voltar mais. Ela não existe mais. A Keitty agora é mãe, e como mãe pensa diferente, age diferente, tem outras prioridades, e tem uma gestão de tempo diferente. E isso me tranquilizou. 

    Estou encarando esse processo como uma redescoberta de rotina. Como se fosse a primeira vez que eu estivesse ali trabalhando. E isso me deu uma paz enorme porque, no fim, é isso o que está acontecendo. Não é um retorno, uma volta... as coisas mudaram. E se mudaram comigo, mudaram também onde eu trabalho. 

   Eu sou feliz demais como professora. Ouso dizer que, junto com a maternidade, é o que eu mais amo fazer na vida (junto mesmo, pau a pau ali na conta). 

   Por ora, espero que as coisas se acertem o quanto antes. Espero que o Yuri me ensine a ser uma melhor professora assim como a UFSC me ensine a ser uma melhor mãe nessa dupla jornada. Espero um bom (re)começo. 


Maternidade: uma experiência avassaladora


   

 A maternidade foi DE LONGE a experiência mais intensa que eu já vivi. Não pelo parto normal, mas por toda a avalanche de sentimentos que te envolvem no puerpério, seja por conta dos hormônios, seja por conta do medo do desconhecido ou do excesso de responsabilidades.

    Eu pude contar com uma rede de apoio muito boa, o que foi importantíssimo pra mim, mas não passei ilesa das múltiplas reflexões e dúvidas do pós parto. 

    Eu senti falta de mim. Senti uma falta absurda de ser quem eu era, de dirigir, de sair pra trabalhar... Eu sentia falta de me conectar comigo mesma, e essa falta de conexão me fez perder a conexão com meu filho em alguns momentos. Senti medo, angústia, insegurança, saudade e culpa. É claro que senti coisas boas.. mas a maternidade de Instagram é fácil descobrir. A real é bem diferente. 

    Enquanto uns sonham em amamentar, a amamentação foi a parte mais difícil para mim. Não por questões físicas, pois nunca tive qualquer problema relacionado à pega correta, etc. Agora o peso emocional de sentir que o teu corpo não é mais teu, o teu tempo, não é mais teu, você não é mais tua.. isso pesa. E em mim pesou muito. 

    Fui para a terapia, melhorei, e por isso voltei com o blog (porque até foi um exercício indicado pela psicóloga, na época). E posso dizer que só quem é mãe sabe do que eu estou falando. 

    Por mais clichê que isso pareça, é real. A maternidade é avassaladora! Ela derruba tudo, como uma onda de maré alta invadindo a casa da gente. Ela expõe tuas fraquezas, ela escancara uma força que nem você sabe que você tem. Evidencia tuas qualidades, e te mostra o que você realmente ama. Porque é disso o que você mais vais sentir falta. 

    E seguindo os clichês, saiba que isso passa. Todos esses pensamentos um dia serão lembranças e se tornarão aprendizados para a sua vida. É incrível como hoje eu olha para trás e entendo tudo o que eu senti, e me acolho. Isso também é importante. Porque de nada adianta o mundo inteiro te abraçar se você não segura sua própria mão. 

quarta-feira, 30 de abril de 2025

Senta, que lá vem a história!

  


   Vamos lá! Cheguei a postar algumas coisas aqui  falando que estava no TCC, então a primeira parte da conversa vocês já sabem: concluí minha graduação em Biblioteconomia na UDESC e me tornei bibliotecária. Desde o ensino médio namorei com o mesmo guri (que hoje é meu marido e pai do meu filho - GZUIS), e engatei no mestrado na UFSC. 

    Durante a graduação, optei por me tornar professora universitária e, para isso, eu precisava ter doutorado. Então, já no TCC, planejei minha carreira para que eu conseguisse alcançar esse objetivo no menor tempo possível. Assim, fiz o TCC, prestei o processo seletivo para o Mestrado e fui aprovada. Foi uma trajetória incrível, embora eu tenha duvidado de mim muitas vezes. 

    Fiz grandes amigos e conquistei um pouco mais de independência por conta das inúmeras viagens à congressos que temos que fazer na pós (especialmente se você é bolsista e docente). Me envolvi com a representação discente e aprendi muito mais sobre a universidade e seus bastidores. Tive a certeza que estava no rumo certo. 

    Concluí meu mestrado no tempo regimental de 2 anos, e já emendei com o doutorado. E aí veio a loucura da pandemia! Tivemos o início do segundo ano de doutorado em março e, de repente, tudo fechou. Não ficarei aqui retomando esse tema que já foi muito debatido por muitas pessoas em muitas instâncias. A grande questão é que a pandemia mudou minha vida profissional. E isso eu não tenho como negar!

    No final do meu primeiro ano de doutorado, abriu uma vaga para concurso público na UFSC. O concurso seria para o início do ano seguinte (meu segundo ano de doutorado - o prazo são 4 anos). Me inscrevi para teste, porque a falta do título de doutora me impedia de ingressar no cargo. Só que, com a pandemia, o concurso parou! E aí eu teria uma chance. 

    Em conversa com meu orientador, decidi antecipar o doutorado e defender em 2 anos (Sim, a doida!). E ele (carinhosamente mais doido ainda) topou a ideia. Então, quando tudo parou, eu produzi como nunca! 

    Isso me custou muita coisa. Me custou sono, me custou estresse e esgotamento mental.. Mas serviu como um refúgio em meio à pandemia. E então, o plano deu certo: defendi o doutorado em março, fiz o concurso em junho, me efetivei em agosto. Tudo do mesmo ano! 

    Foi uma mudança muito forte na minha vida e que gerou muitas inseguranças afinal: eu fui (por alguns meses) a doutora mais jovem do Brasil, e estava assumindo como professora do magistério superior (de forma efetiva), com 25 anos! Nem eu acreditava no que estava acontecendo. Nem eu acreditava que todo o meu plano tinha dado certo. Eu precisei justificar pra junta médica da UFSC que eu não tinha vacina da COVID porque minha idade não havia sido chamada ainda kk Gente, era surreal!

    E a vida pessoal também deu uma guinada no ano de 2021. 

    Eu e meu (então) namorado já havíamos decido que, assim que eu terminasse o doutorado e arrumasse um emprego, iríamos morar juntos. Não era meu objetivo casar (com festa). Afinal, esse nunca foi um desejo meu. Então o plano era ter condições de se sustentar. 

    Meu nome saiu no Diário Oficial no dia 29 de julho, e no dia 30 de julho nós faríamos 10 anos de namoro. E obviamente a euforia tomou conta de nós. Em agosto (um dia antes de eu tomar posse), meu namorado me pediu em casamento e aí começamos a sonhar com uma celebração, uma festa de casamento que, até então, não estava nos planos. 

    Neste mesmo ano de 2021 encontramos um apartamento que amamos! Era num bairro que eu gostava, tinha 3 quartos, salão de festas, região calma, perto de tudo.. E falamos: é esse! Vamos financiar! E em dezembro de 2021 foi dada a entrada na papelada. 

    Percebem que, em 2021, eu: defendi o doutorado, prestei concurso público, fui chamada, noivei, tomei posse como professora (sonho da vida) e financiei um apartamento. Gente, foi uma vida se formando em cerca de 10 meses. E foi incrível!

    Em março de 2022 pegamos a chave do ap (exatos 1 ano após a defesa do meu doutorado, como se a vida não pudesse ser mais perfeita). E aí iniciamos as obras porque haviam algumas coisas que queríamos mudar. E, como eu ministrava aula somente a noite, fui eu quem ficou de mestre de obras, comendo poeira de piso para, depois, ir correndo pro banho para dar aula até as 22h. 

    Em 2022 casamos 3 vezes. Mas tudo tem um motivo. Eu queria um casamento ao ar livre como "festa", por achar bonito e até pela pandemia mesmo (ainda havia muito receio das pessoas). Então marcamos para o dia 27 de agosto (porque agosto é um mês com pouca chuva, pôr do sol bonito, e o mês mais barato por causa de uma besta superstição de que diz que agosto é o mês do desgosto). No entanto, eu dava aula sexta a noite, ou seja: na véspera do casamento. E obviamente, além de eu não ter cabeça para essa aula, não queria chegar em casa 22h30 para, no outro dia, passar o furdunço todo de salão, casamento e festa. Então, fizemos o primeiro casamento no cartório, dia 26 (sexta), para que eu pudesse ter direito à licença e, consequentemente, não precisar dar a aula a noite.

    No sábado, dia 27, fizemos nosso casamento "completo", com fotógrafo, música, dj, etc. E passamos a lua de mel em Gramado/Canela (meu sonho de consumo). Mas ainda queria a benção religiosa... Então, em 25 de setembro do mesmo ano, casamos no religioso. Foi uma cerimônia só para a família, sem fotógrafo, sem música, sem entrada.. Somente nós e o diácono que nos deu a benção do matrimônio. E assim, para quem não queria casar.. acabei casando 3 vezes no mesmo ano. 

    A vida na UFSC foi (e é)incrível. Realizei sonhos e tive a certeza que estava no lugar certo. E aí eu e meu marido decidimos que queríamos engravidar logo após que eu finalizasse meu estágio probatório. Nós queríamos muito isso! E resolvemos planejar a nossa vida e essa gestação como se essa fosse a coisa mais importante para nós. Mas isso, será assunto para outro post.  

E depois de 7 anos, voltei!

 


    Voltei, pessoas! Foram 7 anos sumida aqui, foram 7 anos de muitos desafios (que irei resumir nos próximos posts) mas, voltei. E o que me fez voltar foi a terapia que fiz recentemente (mas isso é assunto para depois). 

    O que vocês precisam saber é que muita coisa mudou então, por favor, não julguem os posts de 15 anos atrás, quando recém iniciei minha trajetória na escrita reflexiva. A mulher de 29 anos de agora não é a mesma garota de 14 anos que fundou esse blog. Portanto, ignorem ou, pelo menos, tenham respeito e consciência de que muito o que foi falado aqui, foi feito em outra época, com outra mentalidade, com outra perspectiva de vida. 

    Não considero essa outra perspectiva errada, mas era uma outra fase. Uma guria que sonhava com o futuro, que sofria suas primeiras desilusões amorosas, que estava preocupada com sua festa de 15 anos, que havia passado pro bullying e que havia mudado de escola pela primeira vez. Essa mulher de agora é doutora, professora concursada em uma universidade pública, esposa, mãe. É muito diferente da menina de 14 anos, mas muito grata pela menina de 14 anos porque, querendo ou não, foi por meio dela que essa mulher se construiu e se reconstrói dia após dia. 

    Dessa forma faremos um seguinte: faremos um post resumindo esses 7 anos de vazio desse blog (vocês verão que MUITA coisa aconteceu, então se preparem para um post longo). Na sequência, irei compartilhar com vocês uma nova fase do "Profundamente Na Mente". Uma fase relacionada à mãe-mulher que tenho me tornado, e que fez com que eu voltasse para cá, depois de tanto tempo. 


"O amor tem uma força diferente, querendo ou não, ele muda a gente." - Wilian Neri